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24 janeiro 2014

~Resenha: Adeus à Inocência - Drusilla Campbell~

Ficha Técnica
Título: Adeus à Inocência
Autoras: Drusilla Campbell
Selo: Novo Conceito
Ano: 2013
Número de páginas: 272
Assuntos: Drama, Ficção


Sinopse
O que a vida espera da gente é um pouco.
Madora tinha 17 anos quando Willis a “;resgatou”;. Distante da família e dos amigos, eles fugiram juntos e, por cinco anos, viveram sozinhos, em quase total isolamento, no meio do deserto da Califórnia. Até que ele sequestrou e aprisionou uma adolescente, não muito diferente do que Madora mesmo era, há alguns anos...
Então, quando todas as crenças e esperanças de Madora pareciam sem sentido — e o pavor de estar vivendo ao lado de um maníaco começava a fazê-la acordar —, Django, um garoto solitário, que não tinha mais nada a perder depois da morte trágica de seus pais, entrou em sua vida para trazê-la de volta à realidade. Quem sabe, juntos, Django, Madora e seu cachorro Foo consigam vislumbrar alguma cor por trás do vasto deserto que ajudou a apagar suas vidas?

Como saber se a pessoa que tanto amamos é realmente o que aparentam ser? Será que o que ela diz é verdade ou é algo enganador...

Depois que foi "resgatada" por Willis, Madora acreditava que os dois iriam construir uma linda família juntos, até Linda surgir, Willis a retirou das ruas e da miséria, alegando que a estava salvando, pois uma garota grávida e sem ter para onde ir estaria mais propensa a morte ou até mesmo as drogas. Ele trancou Linda em um trailer velho que havia no fundo da sua casa, um lugar isolado perto de uma estrada onde os vizinhos ficavam longe o bastante para não ouvirem seus gritos.
Quando chegou a hora do bebê nascer Willis fez o parto e logo depois o deu para um advogado que cuidava de adoções em troca de dinheiro. Madora ficava impassível ao que acontecia com Linda, pois sua única preocupação era a felicidade e os desejos de Willis. Até que acaba conhecendo um menino chamado Django, que a faz acordar de seu falso conto de fadas....

"- Você é uma daquelas meninas que nunca crescem. Só ficam acreditando em toda a bobajada de contos de fadas. Príncipe encantado e felizes para sempre. Eu seu por que você fica com ele. Você realmente acredita que a coisa vai mudar. Ele a deixa sozinha o dia todo, e você sonha com um casamento vestida de branco, uma casa e bebês, mas isso nunca vai acontecer [...]. Pág. 174"

O livro não me cativou, já nas primeiras 50 páginas a leitura estava arrastada e Madora já estava me irritando bastante. Até entendo que pessoas loucamente apaixonadas ou obcecadas por alguém possam agir de modo que coisas absurdas passam a ser um simples detalhe, mas a maturidade de Madora não combina em nada com a história, apesar de ter 22 anos, suas atitudes são de alguém de 12 anos, suas birras e queixas são muito infantis. Willis por sua vez tem muita lábia o que acabou atraindo não só Madora, mas como também várias outras pessoas a quem ele enganou. A narrativa tem bastante floreios, algo que particularmente não me atrai, o que acaba tornando a leitura mais cansativa.

"Madora não acreditava que a vida fosse um ciclo. Cuidando de seus animais feridos, ela pensava que a vida era mais como o fundo de um cânion, onde alguns ficavam presos e apenas poucos se salvavam. Pág. 18"

Após conhecer Django, Madora acaba melhorando bastante sua personalidade, além de começar a ver a verdade por trás da sociopatia de Willis, começa também a ter mais atitudes maduras, apesar de cometer alguns deslizes no caminho. Madora tinha medo de Willis e isso contribuiu para sua omissão, mas será que ela passou todos esses anos suportando a arrogância e estupidez de Willis somente para ter seu amor? A Síndrome de Estocolmo se encaixa perfeitamente ao que Madora tem, pois é um estado psicológico particular desenvolvido por algumas pessoas que são vítimas de sequestro e se desenvolve a partir de tentativas da vítima de se identificar com seu raptor ou de conquistar a simpatia do sequestrador. Algo que faltou ser mencionado ou explicado no livro, pois assim os leitores entenderiam um pouco mais o lado de Madora.
Django foi o melhor dos personagens, apesar de seus 12 anos deu um show, esperto, astuto e decidido, teve um papel importante na vida de Madora e até na do cãozinho Foo. Assim como, em certo ponto, a própria Madora, mesmo sem se dar conta, o ajudou a superar suas feridas internas.

"Ela imaginou como seria falar com ele num tom tão audacioso. Então se deteve. Imaginar já era perigoso, pois ela podia ficar tão à vontade em suas próprias opiniões que um dia se esqueceria e a falaria em voz alta. Pág. 41"

Imaginei um desfecho bem diferente para a história, mas mesmo assim não foi algo ruim, se encaixou perfeitamente ao contexto do livro. Percebi que a várias opiniões divergentes sobre a obra, e acredito que ela seja mais especifica para um tipo de leitor. Pena ela não ter me cativado como eu imaginava...


Avaliação Final:



.: ~ * Beijinhos * ~ :.

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Um comentário:

  1. Saudações


    É provável que a estória deste livro tenha ilustrado, à sua forma, como realmente funciona a mente de muitas pessoas quando estas estão apaixonadas.

    Eu digo que há uma diferença gritante entre gostar e se apaixonar, e que entre as duas partes ainda existe um protocolo intermediário, que é a afeição própria (acho deveras difícil alguém se dizer apaixonado por outra pessoa sem realmente se gostar em primeiro lugar).

    De toda a forma, à julgar unicamente pela sua resenha, parece-me que a autora resolveu unicamente levar à tona o comportamento desvairado que algumas pessoas podem ter, tanto por não conseguir controlar a paixão como também por não possuir um auto-controle sustentável à tanto.

    Até parece que sou um entendido no assunto para assim falar (quando na verdade não sou). XD

    Mas ficou boa a sua resenha nobre e, possivelmente, não apareceram muitos comentários aqui (talvez) pelo fato da crítica não ter sido como os leitores esperavam (teoria da minha parte).


    Até mais!

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